domingo, 27 de abril de 2014

"SIEN TIMEN TIOS"

SIENTO
SIN TI
SIENTE
TU?
SIENTA

TE

SIN
ESTO
Y TEN LA
SOLA
SI TON
SIN TONO
SOY
TONTA
TODA
ATADA
Y
TUYA

Apaixonar-se é mais que nada, escolher a alguém para intercambiar afeto pensando que a qualidade do teu afeto, ao chegar na outra pessoa, será a melhor que podes dar e esperas da pessoa a mesma coisa. Pois viver, para mim, também é isso, escolher, e portanto a paixão para viver é algo tão necessário quanto a água. 

Sempre fui dada à diversão e a aprender tudo por mim mesma, acredito desde muito pequena, que só se aprende vivendo na carne. Talvez seja por isso que tenho cicatrizes por todos lados e as manchas de sol na minha cara representam, cada uma, um tropeço e um aprendizado. É, parece lugar-comum mas é assim mesmo. Tem gente que resolve ouvir os pais desde bem pequenos, mais que nada por medo ou por não ter o privilégio da escolha, seguem uma linha, seguem o "fluxo" como se diz e vivem a experiência de uma existência amena, sem tantos altos e baixos mas no meu caso isso não foi nem é algo possível. 

Observo o meu ser o suficiente para saber quando as coisas vão bem ou mal (e o que é ir bem? é que a vida siga acontecendo, que não pare, que não congele, pode ser exatamente o contrário do que pensa outra pessoa que não eu) No meu caso é escolha, afinal não nasci numa favela do Rio de janeiro e sim no seio de uma família classe média mais alta do que baixa e portanto, sempre pude escolher minimamente os caminhos na minha vida. E sempre escolhi os mais difíceis, não por serem os mais difíceis e sim porque sempre elegi os que me levam a um maior aprendizado. Acredito que quando a vida te dá essa oportunidade, deves usá-la, não pode ser desperdiçada de maneira nenhuma. Uma pessoa que tem o que escolher já nasce com a possibilidade de ter a liberdade mais próxima das mãos e eu me dei conta disso bem cedo, talvez aos 12 ou 13 anos e desde então venho aproveitando essa oportunidade e tentando nunca ir dormir sem ter aprendido algo novo, sempre tentando entender um pouco mais. 

Alguns dirão que é burrice mas creio que é o auge da inteligência porque ultrapassa a necessidade de sobrevivência. A necessidade e as necessidades criadas pelo mundo moderno capitalista são justamente um adestrador de pessoas, todos sabemos disso. O medo te faz parar e só tens medo quando tens algo, e se tens algo, tens eleição e não tens medo quando não tens nada, mas não tens eleição. Funciona mais ou menos como o que me aconteceu quando cheguei na Europa em 2001: quando tinha meios para viajar, não tinhas papéis para sair do país e quando tive papéis para sair, não me sobrava nem um centavo de euro. A vida apresenta coisas deste tipo todo o tempo e estamos em permanente escolha quando temos escolha mas parece que a humanidade prefere não ter que escolher, como se ter um armário cheio de camisetas verdes (como nos desenhos animados) fosse muito mais fácil e no fundo é o que a gente quer querer. 

Então o consumo aparece e seguimos sem escolher absolutamente nada, desde o conforto das nossas vidas acomodadas podemos sentir algo da tal liberdade já que o dinheiro que temos nos permite consumir e supostamente "escolher" no mercado de consumo. Fatos que muitos de nós já desvendamos há anos e sabemos que é a pior forma de escravidão mas escravidão é exatamente o que a gente quer - funciona como em Manderlay do Lars Von Trier. Quando a gente tem liberdade de eleição prefere não escolher, prefere obedecer, preferimos ser submetidos para não ter que pensar, é como se o cérebro fosse um ser à parte e totalmente preguiçoso e para piorar, incorporamos o medo e a banalidade do consumo e esquecemos de rir porque o riso só é possível na exposição, se não te expões não és capaz de rir de verdade de nada, muito menos de ti mesmo.

Perdão pai, perdão mãe, meus caminhos são, talvez para vocês, bastante perigosos ou incertos, mas vocês me deram a oportunidade de poder realmente escolher algo, de poder aprender, de poder me expor o máximo possível. Que porquê a necessidade de aprender tanto sobre mim mesma? Porque é partindo de um grão de areia que pode-se chegar a entender a humanidade e prefiro saber tudo de mim para, quem sabe, chegar a morrer entendendo um pouco mais sobre os seres da minha volta e sobre o lugar onde vivo. Aprender algo novo, para mim, é como comprar sapatos novos para muitos e gosto de pensar que gosto mais da que sou hoje do que da que fui ontem e menos da que serei amanhã. Perdão e obrigada. E sigo. Vamos ver até onde chega.

sábado, 19 de abril de 2014

MelanColia

Então chega o dia em que fazes 40 anos e te lembras da primeira vez em que sentiste melancolia, a primeira vez em que as lágrimas caíram pelo teu rosto porque teu coração ficou apertado, pequenininho, e teus ossos começaram a doer e quase não viste saída. 
Uma tristeza tão grande, tão imensa te invadiu e tinhas apenas 9 ou 10 anos e acabavas de ver "O Tempo e o Vento" na TV, era o último capítulo e tinhas gostado muito, terminava e no último capítulo colocaram a música tema, uma música do Tom Jobim, finalmente com letra e começaste a chorar sem poder parar, tinhas os poucos pêlos do teu corpo arrepiados, não entendias absolutamente nada, só sentias.
E aquele, agora sabes, foi teu primeiro contato com o artista e não com a arte. Aquilo te tocou profundamente, nunca pensaste que uma obra poderia te produzir tantos sentimentos, porque não eram sensações, eram sentimentos fortes e únicos e então soubeste lá naquele dia de 1983 ou 84 que algo te passava por dentro, que tua sensibilidade não parecia afetar ao resto da população, cruzaste a tua alma com a daquele artista e por um momento estiveste dentro dele, entendeste o como, o porquê não apenas a obra...te deste conta de que a idade na Terra não era nada e quem sabe estavas marcada para ser uma anciã em terra de ninguém; eras estranha, eras diferente mas havia mais gente assim pelo mundo, agora sabias; tua maneira de transformar o cotidiano em suspiro teria um fim, afinal não era possível ser um ser feito de cristal se o mundo não seria capaz de entender...e começaste a tropeçar, começaste errando, te debatendo contra paredes de todo tipo, o mundo não estava entendendo mas tu acreditavas que tu não estavas entendendo aquele mundo e era ele que não podia tesuportar, nem a ti, nem a tanta gente... Mas tu ainda não sabias e durante os primeiros 40 anos da tua vida estiveste feito um fantasma de ti mesma; fingindo sentir diferente, fingindo entender o mundo que te apresentavam, viraste um clone de ti mesmo, um clone com um molde mais adequado embora aparentemente igual. E te escondeste, inventaste uma vida que poderia parecer perfeita aos olhos dos teus amores e a tua dor e a tua melancolia eram cada vez maior.,
Necessitavas liberdade, necessitavas poder ser, necessitavas simplesmente ser e começaste então a viver com as tuas regras, fossem elas as que fossem mas tua meta era poder ser tu mesma o tempo todo, com toda a tua dor, com tudo o que isso supõe, com as cicatrizes que vais colecionar, pensas que nenhuma cicatriz é tão enorme quanto a que se carrega por não ser e sim parecer, nada é pior do que ter que se esconder, nada pode ser pior do que ter que parecer, nada pode ser pior. Te olhas no espelho e finalmente te vês, te olhas ali e estás igual e és aquela menina de 10 anos que suspirou e quase morreu de tristeza ao ouvir uma canção em 1983 ou 84, estás de volta depois de tanto tempo e voltaste para ficar, pagando o preço que seja, estás aqui e é bom te ter de volta. E o mundo começa a conspirar a teu favor porque finalmente resolveste fazer o que gostas, viver da tua maneira, já não te enganas, já não queres te encaixar, já não há mentiras nem enganos de nenhum tipo na tua existência, vives de paixões, és paixão pura , és e sempre foste pura paixão, e te despes, estás exposta como nunca e és feliz porque finalmente vives dentro da tua verdade.

DOM DOMA

MEDO
ME DOU
METADE
MEDIDA
META
DIVINA
DÁDIVA
DIVA
VADIA
DIABA, ABRA 
...
MEDO
DOME!
ME DOU
ME
 DOM 
DOU-ME
DOM, DOM
DO 
ME


jueves, 17 de abril de 2014

Anti poema bilingüe

SONHAR-TE
SONHA ARTE
SONAR TE
SON AR
SON TER
TOCARTE
SOMARTE
AMARTE
SOÑARTE
SUENA 
ARTE
ATAÑE

AR
EXTRAÑARTE
EXTRA
PARTE
ANTI
ARTE
RIE
TE

Descansemos

Pensar em ti me produz escalafríos daqueles verdadeiros, não os dos contos de fantasmas mas dos outros, dos naturais;

E então penso em ti, como faço todos os dias da minha vida. Fecho os olhos e penso em ti como nunca, apesar de sempre;

Nas tuas mãos que nunca o fizeram mas eu as imagino dando voltas e voltas por todo o meu corpo. 

Passando pelos dedos das mãos, subindo pelos braços até chegar ao pescoço e então,em um beijo molhado e muito lento e pouco a pouco descendo a tua boca, a tua cara, a tua carne em direção aos meus pequenos peitos desesperados, arrepiados, sós.  
E devagar beijando, dando voltas com a língua e já me tens em transe e te decides ir baixando até o meu umbigo e já não posso mais e grito, falo em outro idioma que não é o teu, suspiro e penso até em desmaiar;



Mas estás me preparando para com as tuas duas mãos acariciar partes que só 10 mãos acariciariam ao mesmo tempo e então, então chegas na mata sedenta, na mata sem chuva, na seca mata dos meus amores, na morta mata dos ex-amores, a mata de tantos eternos amores.

E ficas por alí com tuas 10 linguas e teus 10 braços como o primeiro homem que és. 

Representas a todos os homens da minha vida em um só e eu te amo como a todos os outros porque és único e o escolhido. Não por mim mas por nós. 

Demoraste, mas finalmente estás aqui aos meus pés e eu aos teus. 

Descansemos

martes, 15 de abril de 2014

Erro de Proporção

No dia em que o tudo deixa de ser tudo e passa a ser ínfima parte, a dor passa.

E então eis que o mundo volta a acontecer, tudo o que parecia parado e que na realidade se movia na mesma velocidade de agora, mas tu não eras capaz de enxergar pois teu tudo, que agora é quase nada, te cegava da pior maneira que algo pode cegar a alguém, através da ilusão e do auto-engano.

Voltas agora a fazer parte do todo já que finalmente voltas a ser capaz de ver este todo, agora que sabes que aquele tudo, era nada desde seu nascimento mas tu necessitavas transformar aquele grão de areia, aquele absolutamente nada, em tudo. Em algo a que te agarrar já que na tua cabeça o todo, o Universo era nada se comparado àquele tudo ilusório.

Agora tens de volta o Universo com todos os seus mistérios e encantos. 

Finalmente voltas a estar vazia, no melhor sentido da palavra. Agora sim podes veer o o verdadeiro tudo tal qual é e tal como sempre foi.

sábado, 5 de abril de 2014

Recém Parida

Morrer e nascer, morrer e nascer, renascer

O humano só pode renascer quando deixa-se morrer uma e outra vez. 

Deixar o velho e dar lugar ao novo supõe uma profunda transformação e muitas vezes o que parece novo não é nada mais do que a repetição de velhos padrões e o verdadeiro novo pode vir revestido de antigo, sem mudar em nada sua aparência. 

Mas os que nascemos e morremos sabemos que tudo está diferente, que o giro foi de 180º e que nada voltará a ser o que era porque finalmente conseguimos olhar além das aparências de nós mesmos

Finalmente conseguimos tirar a roupa e olhar-nos no espelho interno, finalmente passamos o umbral de nós mesmos e penetramos no mais profundo, tocamos o lugar quase intocável, percebemos que este lugar existe e que de tempos em tempos debe sair à superfície (ao menos para nós mesmos)

Tomamos coragem para olhar lá dentro

Não é um exercício fácil

Começamos criticando a tudo e a todos a nossa volta, depois nos culpamos e finalmente chegamos lá, no lugar onde não há culpados nem inocentes, onde estamos sós, frente a frente conosco. 

Doloroso, profundamente doloroso o dar-se conta de que somos os únicos responsáveis de tudo o que nos ocorre e que dar lugar ao novo não supõe mudar cenários nem pessoas e sim tocar o ponto escuro, renascer. 

Recém parida. 

Assim me sinto! 

Bem vinda, nova Fernanda! Gosto mais da de hoje que da de ontem e isso é o que importa.