Naquele dia em que fomos para a cama como dois amantes, embora sejamos amigos, não gostaste da minha anorgasmia. Te expliquei, mas não entendeste, segues achando que é um problema de tempos, de técnicas ou de confiança. Pois bem, te explico.
Não importa a técnica milenária utilizada por ti
Tuas ereções eternas têm pouca ou nenhuma importância para mim
Sou uma mulher que já fez o amor com o amor e este, amigo meu,
é o meu segredo, se é que se pode chamar segredo.
Não faço o amor com o corpo,
Não faço o amor com a tua técnica
Não faço o amor com teus dedos rápidos e resvaladiços
Não faço o amor com teus beijos lentos e perfeitos
Não faço o amor com a tua língua quente e objetiva
Não faço o amor com teu cheiro forte de homem
Não faço o amor com o teu desejo quase juvenil
Faço o amor quando cruzas os teus olhos com os meus
Faço o amor quando respiras mais forte
Faço o amor quando não governas os teus atos
Faço o amor quando te dás conta de que o nosso desejo vai muito além do teu desejo
Faço o amor quando me tocas com a alma e ficas sem jeito
Faço o amor com a paixão irracional que sentes por mim
Faço o amor com a tua entrega, faço o amor com o teu amor.
Sou uma mulher e tu não és um semental, portanto, meu amor, meus orgasmos um dia podem ser teus, desde que entendas como podem suceder. Não tentes mais, não sofras mais. Mulheres como eu não se importam com minúcias e um orgasmo, comparado com o amor que se constrói e com a amizade que temos, é nada. Calma, peço-te calma e transparência, já que se um dia eles forem teus, terás muito mais que um simples orgasmo meu.



