domingo, 15 de noviembre de 2015

Orgasmatron

Naquele dia em que fomos para a cama como dois amantes, embora sejamos amigos, não gostaste da minha anorgasmia. Te expliquei, mas não entendeste, segues achando que é um problema de tempos, de técnicas ou de confiança. Pois bem, te explico.

Não importa a técnica milenária utilizada por ti
Tuas ereções eternas têm pouca ou nenhuma importância para mim
Sou uma mulher que já fez o amor com o amor e este, amigo meu, 
é o meu segredo, se é que se pode chamar segredo.

Não faço o amor com o corpo,
Não faço o amor com a tua técnica
Não faço o amor com teus dedos rápidos e resvaladiços
Não faço o amor com teus beijos lentos e perfeitos
Não  faço o amor com a rigidez adolescente do teu  membro rosado
Não faço o amor com a tua língua quente e objetiva
Não faço o amor com teu cheiro forte de homem
Não faço o amor com o teu desejo quase juvenil

Faço o amor quando cruzas os teus olhos com os meus
Faço o amor quando respiras mais forte
Faço o amor quando não governas os teus atos
Faço o amor quando te dás conta de que o nosso desejo vai muito além do teu desejo
Faço o amor quando me tocas com a alma e ficas sem jeito
Faço o amor com a paixão irracional que sentes por mim
Faço o amor com a tua entrega, faço o amor com o teu amor.

Sou uma mulher e tu não és um semental, portanto, meu amor, meus orgasmos um dia podem ser teus, desde que entendas como podem suceder. Não tentes mais, não sofras mais. Mulheres como eu  não se importam com minúcias e um orgasmo, comparado com o amor que se constrói e com a amizade que temos, é nada. Calma, peço-te calma e transparência, já que se um dia eles forem teus, terás muito mais que um simples orgasmo meu.

lunes, 17 de agosto de 2015

mordida de história

Foi o tempo de piscar e já não estava lá
Foi o tempo de pintar os lábios
Foi o tempo de mudar de país
Foi o tempo de fazer um curso

Foi o tempo de mudar de emprego
Foi o tempo de casar
Foi o tempo de separar
E já não estava lá

Foi o tempo de ter um filho
Foi o tempo de amamentar
Foi o tempo de vê-lo crescer
Foi o tempo de vê-lo falar
E já não estava lá

Foi o tempo de comer
Foi o tempo de engordar
Foi o tempo de adoecer
Medicina e curar

Foi o tempo de fazer a mala
Foi o tempo de juntar dinheiro
Foi o tempo de adiar
Foi o tempo de chorar
E já não estava lá

Foi o tempo da chegada. Da despedida
Do desengano e do coração partido
E já não estava lá

Foi o tempo de crescer o seio
Foi o tempo de menstruar
Foi o primeiro cabelo branco e a ideia de que existe um fim
E já não estava lá

Foi tudo tão pouco
Foi tudo tão rápido
Parece que nunca nada esteve lá

Estive eu aqui?

sábado, 1 de agosto de 2015

Minha matemática



Não sou mulher de 
1 quadradinho de chocolate ou de 
2 taças de champanhe 

Não como de 3 em 3 horas:
4 refeições ao dia 

Não gosto de “siestas” de 5 minutos 
Meu 6 leva sempre um 9
E meus pecados são muitos mais que 

Não sou 8 nem 80
E do 9, prefiro o primo
Começo a existir no 10
Número da satisfação: 

Onde não me alimento, me empanturro 

Onde não bebo, me embriago 

Onde não faço o amor, me suicido

Onde nada faz sentido e ao mesmo tempo,
tudo.

viernes, 17 de julio de 2015

E o dia chega.


Então chega o dia em que 
o que não era claro, se esclarece 
o que não era verdade, aparece 
o que fazia dano, já não entristece 
o que parecia ser amor, 
desaparece 

Chega o dia em que 
o que era escuro, se clareia 
o que era mentira, desaparece 
o que fazia mal, já não afeta 
o que parecia ser desamor 
finalmente aparece 

Chega o dia em que o dia chega 
chegou!



viernes, 24 de abril de 2015

A Lomba - ou quando descobri o TOC


Eu tinha 5 ou 6 anos e passávamos o final de semana na fazenda de um tio, pertinho de Pelotas

Lá nao tinha ar condicionado, nem calefação, muito menos chuveiro quente.

Nossos pais nos davam banho numa banheira redonda de latão pintada de branco, depois de passarmos horas diante de uma lareira – crianças, adultos e os cachorros da quinta.

Dormíamos num quarto grande, com chão de madeira, tetos muito altos e várias camas enfileiradas (umas 4 ou 5 – as famílias antigas eram maiores, sabe?) 

No teto sempre havia alguma enorme “aranha cebeluda” mas nosso pais nos diziam que elas jamais caíam, que era só ignorar.(mentira! mais de uma vez elas andavam pelo chão e pelas camas).

A cozinha ficava na entrada da casa, que dava ao alpendre, e era ali onde o fogão à lenha funcionava 24h. Sempre tinha algo fervendo ali em cima. E na mesa de madeira – que lembro muito grande – tomávamos o café da manhã com pão caseiro e leite recém saído dos úberes das vaquinhas da Lomba (o nome da fazenda).

Também é desta época umas das minhas primeiras lembranças do TOC, que ainda hoje, me persegue. 

Minha mãe nunca foi muito perfeccionista, e me lembro – como se fosse hoje – que ela me apresentou uma torrada com a manteiga MUITO mal passada e que eu comecei a chorar desesperadamente, já que não poderia comer aquele horror, que ela por favor, espalhasse melhor o condimento no meu pão - era caso de vida ou morte!!! 

É óbvio que nenhum adulto entendeu nada, e passei por “criança louca e mimada”, como sempre. 

Eu já estava acostumada.

Depois íamos cavalgar com o Miguel, que nos trazia os cavalos mais velhos e mansos da fazenda. 

Há que dizer que éramos 4: minha prima Alessandra, 3 anos mais velha que eu; minha prima Vanessa, também de 74, como eu; e a Sabrine, minha irmã, com quase 5 anos de diferença. 

O Miguel vinha e a gente montava. Eu sempre com o "Pitiço". O Miguel odiava a Sabrine e a Alessandra, dizia que elas eram, “esnobes” – comigo ele era um amor, e na verdade acho que ele foi o meu primeiro amor platônico (inaugurando uma saga que também persiste, apesar dos quase 41 anos de vida).

Ele era meio “doentinho” como diziam as nossas mães.  Agora, sei que o Miguel não tinha atraso nenhum, só era bom demais para este mundo e, portanto, não entrava nos esquemas.

Eu amava estar na Lomba, íamos pouquíssimo, já que meus pais preferiam a praia – sim, tínhamos uma casa de veraneio em Torres, que era mais pertinho de POA. 

Mas eu gostava daquele caminho de terra com árvores que parecia não ter fim, e que me levava a um lugar mágico, de onde talvez, nunca saí. 

Parte de mim ficou lá, naqueles quartos de chão frio, de pés direitos infinitos, de Miguel, de fogões à lenha sempre funcionando, de cachorros vira-latas (saudosa Duquesa) e de pura simplicidade. 

domingo, 29 de marzo de 2015

14 anos dentro.

Dia 1 de abril de 2015, ou seja, em dois dias, estou há exatos 14 na Espanha. 

Saí do Brasil recém formada em jornalismo para, em um princípio, trabalhar em Huelva, na Andaluzia, por 6 meses. Depois eu voltaria. Jovem, linda, superficial, com um diploma, uma experiência no exterior (tão importante no mercado de trabalho) e um idioma novo no currículo.

Acontece que eu não voltei!

Isto não quer dizer que não chorei.
A chegada, para quem sempre teve absolutamente tudo, que era o meu caso, não foi fácil. Afinal em Porto Alegre eu sempre fui 
filha de...
namorada de...
amiga de... 
sobrinha de... 

E ao chegar aqui eu era, finalmente, Fernanda. E só!

Gostar de ser  anônimo? Ninguém gosta. 
Ser anônimo é lindo quando depois do passeio na multidão chegamos em casa, no bar que frequentamos, na casa de amigos e deixamos de sê-lo, passamos ao aconchego dos amores.

Mas quando se é um imigrante, o anonimato está presente todo o tempo, somos sempre anônimos, nao temos o privilégio do “colo” das amizades, da família ou das ruas e avenidas conhecidas há anos.

Ser imigrante é nascer de novo, para o bem e para o mal, é ter que enfrentar o parto sozinho, sem uma mãe para ajudar e é, sem dúvida, a primeira vez em que se está efetivamente só!

O segundo ponto do imigrante (e aqui são poucos os que passam a prova) é a responsabilidade da escolha. 

Sim, eu cresci tendo empregada, faxineira, a geladeira cheia e jamais tive que limpar a minha privada. Eu podia fazer as unhas (na verdade nunca fui muito chegada...) todas as semanas, minha roupa era comprada nas melhores lojas e eu me dedicava a ser feliz?!

E a criticar o sistema em que vivia! Eu não estava de acordo com o meu modo de vida, não estava de acordo com a maioria do esquema que me rodeava. Sim, aqui neste ponto, meu amigo, entra algo muito importante: emigrar não é para qualquer um e entra também, a coragem de enfrentar o que realmente se é, apesar de tudo e apesar de todos os que amamos.

É uma segunda chance, um privilégio para poucos, é uma oportunidade para renascer e viver a vida de acordo com o que tinhas em mente, mas claro, se paga um preço – que eu pagaria outras 1000 vezes!

Faço 14 anos de vida “fora de casa” mas mais dentro de casa que nunca, mais dentro de mi, do que jamais sonhei que poderia estar. 
Sou eu. 
Me sinto eu. 
Vivo como acho que devo viver 
E educo o meu filho como acho que devo educar;  e me alimento como acho que devo comer e me responsabilizo pelo meu lixo, pela minha merda, por meus pensamentos e por uma ética interna, só minha. 

Louca, quem sabe? Talvez, mas esta sou eu.

Obrigada familia, por me deixar voar, obrigada Espanha, por me deixar ser e obrigada aos meus autores, atores e filósofos preferidos. 

de Madrid al cielo, con un agujerito para verlo” – ou não!

sábado, 28 de marzo de 2015

Olvido

Para olvidar-te
De tudo já fiz

O primeiro passo?
Deixei de imaginar-te
nas noites sem fim

Logo?
Tracei um plano
Tratei de fugir!

Mas
Na primeira trégua ou descanso,
Como quem quebra um copo ou algo,
de súbido descuido
Voltei a cair

Estás aqui de novo,
contrincante que nunca partiu
E eu? no meu lugar de sempre
combatente fiel
Inerte, perfumada
Sempre preparada
Mulher apta para ti

Espero algo, também
Não penses tu
que estou só esperando por ti!

Espero o dia em que este tudo, 
que fazes parecer nada,
ou que pensas de veras 
já o nada será parecido a isso?!
chegue finalmente
ao seu fim

nao sei, amor meu, se pela morte
sombra sempre presente 
Ou por ter-te ao meu lado, enfim.  

viernes, 27 de marzo de 2015

Espero Curarme de Ti - Jaime Sabines

Espero curarme de ti en unos días. 

Debo dejar de

fumarte, de beberte, de pensarte. Es posible.
Siguiendo las prescripciones de la moral en turno. Me
receto tiempo, abstinencia, soledad.

¿Te parece bien que te quiera nada más una semana?
No es mucho, ni es poco, es bastante. En una
semana se pueden reunir todas las palabras de amor
que se han pronunciado sobre la tierra y se les
puede prender fuego. Te voy a calentar con esa
hoguera del amor quemado. Y también el silencio.
Porque las mejores palabras del amor están entre dos
gentes que no se dicen nada.

Hay que quemar también ese otro lenguaje lateral y
subversivo del que ama. (Tú saber cómo te digo que
te quiero cuando digo: “qué calor hace”, “dame
agua”, “¿sabes manejar?,”se hizo de noche”… Entre
las gentes, a un lado de tus gentes y las mías, te he
dicho “ya es tarde”, y tú sabías que decía “te
quiero”.)

Una semana más para reunir todo el amor del
tiempo. Para dártelo. Para que hagas con él lo que tú
quieras: guardarlo, acariciarlo, tirarlo a la basura. No
sirve, es cierto. Sólo quiero una semana para
entender las cosas. Porque esto es muy parecido a
estar saliendo de un manicomio para entrar a un
panteón.

jueves, 19 de marzo de 2015

Machismo español X machismo brasileño

La verdad es que desde que una amiga brasileña – casada con brasileño y viviendo es Madrid desde hace 5 años – me dijo que a ella, los españoles le parecían más machistas que los brasileños, no dejo de darle vueltas al asunto. 

Cuando me lo dijo, me pareció un absurdo, ya que en España ningún hombre te acosa en la calle, puedes hacer topless tranquilamente en muchísimas playas sin que nadie te moleste, ves a muchos padres en los parques con sus niños por las tardes y un sinfín de detalles y etcéteras. 

Mi negativa tan rotunda a mi amiga ocurrió porque no puedo pensar en Brasil sin acordarme del acoso, cada vez que pasaba por un edificio en construcción, de las miradas lascivas por las calles, de los amantes tan egoístas que tuve (¿seria mala suerte?) de las infidelidades que he sufrido, no por uno, sino por parte de todos o de casi todos los hombres con los que tuve algún affaire, como si la mujer fuese un objeto para su disfrute… pero después de darle este ¡NO, ESTAS EQUIVOCADA! tan rotundo a mi amiga, llegué a casa y me puse a reflexionar. 

¿No será que el machismo español está tan arraigado que uno no lo ve? 

No será que como vivimos en un mundillo cada vez más políticamente correcto ¿estos machistas lo esconden? 

Porque claro, como se puede explicar que un “feminista” español, al casarse, se convierta en un controlador machista, muchas veces misógino que deja de fregar la vajilla y echa vistazos al móvil de su pareja? 

¿Como explicar los sueldos femeninos mucho más bajos que los masculinos? 

¿Como explicar esta separación de roles tan clara? 

La verdad es que el judío-cristianismo ha hecho mucho daño en todas partes pero aquí, con tanta “tradición de toda la vida” parece ser que ni siquiera ellos se dan cuenta, es como si estuvieran negando lo que realmente son. 

Si, mi amiga, creo que puedes tener razón, el machismo español puede ser aún peor que el brasileño ya que aquí ellos ni siquiera se han dado cuenta de que lo son, siguen pensando que son “feministas – majos” porque no dicen nada a las mujeres por las calles (pero lo piensan). Anda ya! Hasta los “gargumillo” me tienen!

lunes, 16 de marzo de 2015

Procrastinas, mi amor

Procrastinas mi amor

Procreas y palias
Noticias de tus amores 

Procrastinas, mi amor
 y postergas
Resoluciones instantáneas
Priorizas otros encuentros
Amenizas nuestros desencuentros 

Y yo 

En el intento de olvidarte 
me alejo
Y al alejarte te acerco 
y
fracaso
Y
creces de 


De dentro hacia fuera


Y tu procrastinas
Y yo intento
y tu palias
Y yo te alejo

Y tu procrastinas
Y yo me pierdo
 y me convierto en ti

Y tu postergas
Y yo me ahogo
 Y tu procrastinas
Y yo me muero


sábado, 28 de febrero de 2015

Te amo tanto 

y tan infinitamente

 que cuándo me dices quizás, 

entiendo ya; 

cuando no dices nada, 

entiendo en seguida; 

cuando me dices no, entiendo después; 

cuando me dices jamás, entiendo algún día.

Ainda tu


Se eu pudesse contar
tuas ereções
Ee eu pudesse mudar
tuas eleições
Se eu pudesse evitar

 tuas decisões
Se eu pudesse decidir
tuas intenções 


Se eu pudesse evitar 

tuas decepções
Se eu pudesse mudar
tuas imersões
Se eu pudesse definir

 tuas ações
Se eu pudesse matar
tuas ereções
Se eu pudesse decidir
tuas reações

Se eu pudesse contar 
Eu eu pudesse decidir
Se eu pudesse reagir
Se eu pudesse cantar 
Ah,
Se eu pudesse encantar-

te

jueves, 12 de febrero de 2015

Amor simplinho

Eu quero um amor assim, simplinho
Um jogo de cartas, companhia para o vinho
Dormir em hostel
Andar de metrô
Um amor sem frescura, sem pose, sem pluma

Que saiba rir e que esquente os meus pés 
Que saiba chorar, consciente de quem é
que viva seu mundo
e visite o meu

Um amor simples, simplinho
Sem muleta, só carinho
Com o dom de empatizar
Que seja solidário e que goste de amar. 

Quero longos silêncios e diálogos excitantes, 
Quero fazer do amor, um presente constante. 
Só quero um amor assim, simplinho,
 intenso e eterno como o meu.


viernes, 30 de enero de 2015

oveja negra x oveja blanca

Porque los pijos felices son todo lo que no soy;
Porque los hijos de apple son todo lo que no quisieran ser;
Pero tú, que no querías parecerte a tu padre, eres una copia mal hecha de él
y tú, que criticabas a tu madre, eres igualita a ella en casi todo, menos en la espontaneidad.
Yo heredé la miopía, los dientes amarillos, el sobrepeso y todo aquél que ellos eran cuando aún no habían conseguido ser lo que querían. 
Tú heredaste todo lo que llegaron a lograr parecer ser, con lo cual, no eres más que ceniza, no eres más que aire, que deseos infantiles, ya que ellos finalmente, vuelven a querer ser lo que siempre fueron y es ahí donde te pierdes y nosotros nos reencontramos.

viernes, 16 de enero de 2015

Com um clitóris – por um orgasmo diário

Os homens nascem sabendo como gozar, está na mão (sic) deles, desde que são filhotes impúberes. 

Na mão das mulheres não está nada, e na cabeça, mora o mistério:

Por onde sai o xixí?
Onde é que eu tenho que tocar, mesmo?  
Mas como se faz isso?

As mulheres começam a se masturbar, decentemente, depois de muito tempo, e de algumas tentativas frustradas... 
Mulheres têm que descobrir como tocar, como pensar (para gozar, não estão permitidos timidez, medo ou recato), qual é a melhor posição, o que as excita mais. 

Saber manusear um clitóris de forma adequada é um trabalho realmente difícil, inclusive para as próprias fêminas. Alguns diriam que clitóris são “de lua”, que o que vale hoje, deixa de valer amanhã, e assim é, a masturbaçao feminina evolui com a mulher, a imaginação de outrora, deixa de valer no dia seguinte.

Ter um orgasmo clitoriano diário é um exercício de auto-conhecimento, de criatividade e, sobretudo, de reinvenção: A mulher do orgasmo de ontem, não é a mulher do orgasmo de hoje e por incrível que pareça, nem as próprias mulheres sabem disso. 

Conheço a muitas (bem passaditas dos 30 anos) que comentam que alguma vez tiveram um orgasmo através da masturbação solitária, mas que não lembram, ou não sabem exatamente como chegaram a ele.


O clitóris é o órgão do prazer por primazia, é uma parte do corpo que existe única e exclusivamente para proporcionar prazer!!!! 

Tanto culto ao falo...O clitóris é o órgão pagão, por excelência, e é o pedaço do corpo humano que mais merece culto. Porém, além de não ser assunto corrente (nem nos cafés e chás, exclusivamente femininos), não protagoniza nenhum filme pornô, simplesmente porque pornografia não faz mulher gozar. 

Por que? Porque clitóris não é penetrável, clitóris é massageável, é incógnito, é minúsculo, quase imperceptível, e pode fazer uma mulher tremer da cabeça aos pés, gemer de prazer e salivar abundantemente por longos segundos, às vezes, minutos. 

Órgão de filme pornô que se preze, no mundo dos machos, feito para machos é cu e vagina, penetrados sem dó nem piedade. Quanto menor o buraco e maior o pinto, mais excitante. Os falos enormes e duros dos machos penetram procurando o seu lugar, penetram ansiando voltar ao quente, úmido e seguro ventre materno. 

O culto à penetração nada mais é, do que o culto à volta ao princípio, a volta à origem do patriarca que um dia, foi embrião.  No patriarcado não há prazer verdadeiro para o macho, em estimular um órgão tão auto-suficiente, como o clitóris. 

O clitóris é a verdadeira arma das mulheres contra o machismo e contra o patriarcado! Através do clitóris podemos ser auto-suficientes em relação à nossa própria sexualidade, e este é o verdadeiro medo masculino. O clitóris ameaça o patriarcado a cada dia, a cada orgasmo visceral, múltiplo e solitário. 

O clitóris é a bandeira da verdadeira libertade feminina.

viernes, 2 de enero de 2015

Sou aquela

Não sou peixe de aquário
Não sou gato de apartamento
Não sou bunda de calendário
Não sou mulher pra casamento

Não sou pomba de aviário
Não sou perdiz de confinamento
Não sou mulher de mostruário
Nem sou amostra de usuário

Não sou couvert antes da entrada
Não sou tua sobremesa
Não posso ser doutrinada
Nem pretendo ser educada

Não sou musa inspiradora
Não sou troféu de caça
Não acredito no teu Deus
Nem gosto da madre Teresa...

Sou o oceano do teu peixe
Sou as negras unhas da tigresa 
Sou o telhado de zinco quente
Sou gin tônica e
Sou cachaça na tua mesa

Sou águia numa rasante
Sou ave de rapina
Sou pavoa misteriosa
Sou sempre entorpecente

Sou coragem
Sou delicadeza
Sou uma força à margem
Sou toda a liberdade


Sou ainda uma semente