lunes, 31 de marzo de 2014

Bordar-te eternamente



Sigo buscando sinais nas tuas linhas

Minha agulha já não funciona, se é que um dia funcionou


Com os dedos à mostra, nunca gostei de artimanhas como luvas ou dedais, me entrego à dor e ao prazer desta exposição


És diferente, não te escondes de propósito, és assim como o desenho em um lenço antes do bordado, que está ali completo, mas pouco visível, muitas vezes indecifrável


E eu te quero bordar mas minha agulha está enferrujada. Assim mesmo persisto e começo suavemente, embora com muita dificuldade, delineando as bordas, com linha amarela

Tudo é tão lento, tão ineficaz, que não é possível manter uma constância e me perco continuamente pensando em perguntas que outros fariam, não eu


A dificuldade é enorme e abandono por momentos e quanto mais o tempo passa, mais indecifrável e mais fascinante se torna o desenho


Então num arrebato, tento enganar o tempo e com um lápis, traço uma linha, esquecendo da agulha e apressando a tarefa


Mas teu desenho não permite pressa, insiste no bordado, pode esperar 


E eu, com as mãos trêmulas, não tenho outra opção que não a de seguir bordando-te eternamente.

sábado, 29 de marzo de 2014

Espejo

De la mezcla de melancolía y alegría;
Del entrelazado entre soledad y necesidad
De la explosión de sentimiento y de la frialdad de la que soy capaz;
De la no expresión de lo profundo y de la extroversión de lo que no soy

Del dolor de estar viva; de la clara sensación de que la vida se me escapa de las manos, de que hay algo o alguien que me la guía y me la hace como es;

De lo importante que son las personas;
De lo objeto que son;
De lo manipulable, del juego, de los egos, de las envidias,de lo débil que soy

Del miedo a volverme loca, del miedo a no amar, del miedo

Del llanto disfrazado de risa, de la melancolía disfrazada de alegría, siempre ella...

De quien soy y quien descubro que soy al mirar en tus ojos porque tú eres el reflejo de lo que soy y por ello eres tan indispensable.

Mi casa es tu casa

Aqui não existe televisão
Aqui se ouve música, silêncio e longas conversas
Aqui existe amor intenso e eterno
Aqui existe boa comida
Aqui não existe espaço para hipocrisia, não existe espaço para mentiras nem para dúvidas
Aqui somos humanos e respeitamos diferenças
Aqui não existe distinção entre machos e fêmeas;
Respeitamos nossos animais; educamos as nossas crianças, regamos as nossas plantas e reciclamos o nosso lixo
Aqui, tratamos de existir
Seja Bem Vindo.

Me Muero por Verte

Me gusta despertarme sola en la cama y pensar que lo haces también, estés donde estés.

Y me muero de ganas de verte.

Me gusta pensar en como te duchas, mientras cantas bajo el agua, imaginar como te vistes y a que hora sales a la calle.

Y me muero de ganas de verte.

Mientras hago mi trayecto diurno me pierdo en pensamientos imaginando como te mueves por las calles: si vas en metro, en autobus, en coche, andando o en bici.

Y me muero de ganas de verte

Luego a la hora de comer cierro los ojos y me imagino cocinandote algo. Y pienso en lo que comerás. Será un sandwich, un bocadillo,una pizza, un plato de pasta.

¿Te alimentarás decentemente?

Y desvanezco con las ganas de verte.

Cuando cae la tarde, el sol se va y empieza el frío, me meto en casa pero te veo por ahí, charlando alegremente con amigos, bebiendo una cerveza o dos en un bar céntrico mientras en la calle, llueve.

Y me muero de ganas de verte.

Cocino, lavo, veo mis peliculas, leo, intento vivir y entonces me meto en la cama. 
Alli es donde imagino como haces el amor a otra mujer y en lugar de sentir celos o rabia, me imagino, ojos cerrados, reencarnada en ella – y soy feliz.

Sueño contigo. Buenas noches, amor.

¿Me podré morir de ganas de verte?

8.11.2013

Am u rallada

Vivir en Toledo
Una ciudad amurallada donde nada cambia nunca porque nadie quiere que nada cambie.

Vivir en una ciudad amurallada es estar expuesto a una espiral donde lo único que pasa son las estaciones del año.

Los hijos crecen, los turistas vienen y se van.
Los restaurantes cambian de nombre y a veces de dueño pero nunca de carta
Los bares reciben a la misma gente día tras día
La gente se queja de las mismas cosas año tras año

Todos envejecen sin aprender nada de extraordinario sobre el mundo o sobre si mismos
Todo lo vivo envejece, mengua alrededor y la ciudad sigue allí, igual que hace cientos de años, mirándote desde arriba.

En Toledo, todo lo que puede cambiar es interno, las revoluciones son individuales.

Las murallas te permiten parar y reflexionar, te permiten ir despacio en un mundo donde la gente no hace más que correr.

Un lugar donde nada ocurre es el lugar idóneo para que las verdaderas grandes cosas ocurran. 

Solamente la inercia exterior puede permitir el tiempo interno necesario para las mudanzas de base, paralas mudanzas a largo plazo.

Espero estar preparada para irme

Pronto.

Reposo

Hace más de año que no te veo
Pero ¿que son los años, que son los meses, los días?
El paso del tiempo es apenas un emarañado para simplificar el dolor de las horas sin ti.

Mi cuerpo ya no es el mismo
Mi vientre se ha desprendido
Mi piel ha cedido
Mi pelo se ha hecho canoso

Sin embargo, nada más verte o solamente al saber que volveréa verte y a tenerte cerca, vuelvo a ser una niña, veo que tu cara y tu cuerpo recobran vida, que tus senos no estaban muertos sino dormidos, que tu cuerpo no estaba entregado al tiempo sino reposando mientras te esperaba.

Entonces llegas y con tu llegada el vigor me  invade – vivo para ti, este cuerpo ha dejado de ser mío desde el primer día en que te hiciste con él.

Ya no puedo retroceder, ya no mando aquí, no hay nada más que hacer, mi vida y mi muerte están en tus manos.

A dor da doença



Já amei e desamei
Já levantei e caí inúmeras vezes
Já fui traída
Já abandonei e fui abandonada
Já engordei muito e logo emagreci
Já mudei para pior, para melhor e para outraS
Já construí vários castelos
E os destruí ou foram destruídos
Já fui aquela, a outra e esta
Já passei mal, sofrí e deixei de rir
Voltei a sorrir.
Já fui filha, mae e companheira, Fui fiel e infiel.
Sempre leal.
Ainda quero amar e desamar
Ainda pretendo cair e levantar outras tantas
Abandonar e ser abandonada
Ser mae, filha e companheira
Ainda quero engordar para emagrecer e voltar a engordar
Ainda quero mudar para pior, para melhor e para otraS
E construir novos castelos
E destruir e voltar a construir
Quero ser esta, aquela e todas as que surjam
Ainda quero passar por tudo e mais. O sofrer nao me tira a vontade de viver e a vontade de viver é estar exposto. Nunca entendi o recolhimento após a dor. Meu Corpo funciona ao revés: sempre que dói, em vez de se fechar ele se abre ainda mais, até estar totalmente nua e exposta, exposta à dor u à vida mesma. Sempre. Ainda. Para sempre

1.12.2012

Eres mis piernas



Eres mis piernas, mis brazos y alas
Y estoy tetraplejica

Eres mi fuerza y me haces potente
Y estoy enferma

Eres el pozo de todos mis deseos
Y ya no los tengo

Eres el orden de mi casa y de mi mente
Y tengo el alma tan profundamente desordenada

Eres el padre, el hijo, el hombre
Eres el compañero
Y estoy tan absolutamente sola

Eres la luz del sol y estoy a oscuras

Eres la vida misma

Y que muerta me siento…

12.10-2012

Fazer e Desfazer, Falta





Fazes-me falta, já sabes

Quanta falta me fazes?

Não há tempo que possa exemplificar, só sentimento.

Então tento explicar:


Fazes-me falta e isto é suficiente para que falte um pedaço aqui dentro.

Fazer-me falta não é o mesmo que deixar saudades, pois saudades, sinto quando tenho fendas abertas e criadas por mim mesma. Para ti, não criei este lugar, o criaste tu, somente tu.


Fazes-me falta porque adquiriste o teu espaço, o preencheste em algum momento, e depois desocupaste, deixando ali aquela fissura inerte e que não pode ser preenchida por nada, por nem ninguém mais. 


Já viste colocarem um braço no lugar de uma perna amputada?


Fazes-me falta quando tudo segue igual, e ao mesmo tempo tão diferente, porque existe uma peça que não encaixa, uma peça que não sei qual é, porque a brecha deixada não existia originalmente.


Entendeste o que é fazer falta?


Também há outra maneira de explicar, e esta bem mais simples:


Se faço um raio-X, seguramente poderás ver, com teus próprios olhos, o buraco negro aqui deixado. Mas imagino que te perguntarás alguma vez, ao abrir a tua gaveta de recordações, de quem será aquele fragmento guardado ali no cantinho escuro – e então, quem sabe me queiras devolver, ou finalmente preencher o que aqui abandonaste, quase sem intenção, prefiro crer.

viernes, 28 de marzo de 2014

Tu

Te dizem: esquece, vira a página, encontra “outro amor”
Como se amores surgissem em esquinas, em sorvetes, em cervejas, em postes.
Porque sofreste
Porque deixaste de viver a tua vida
Porque ficaste sem nenhuma liberdade
Porque discutias todo o tempo
Porque te silenciava
Porque te cobrava
Porque te dominava
Porque te perguntava tudo o tempo todo
Porque era tóxico
Porque estava doente
Porque era um machista
Porque era doente
Porque te livraste!
Mas como não lembrar do companheiro
Como não lembrar do cheiro,
Do apoio em momentos difíceis
Das horas unidos em silêncio
Das brigas em viagens românticas
Do cheiro da nuca
Do sorriso sem jeito
Do tesão sem limites
Dos presentes pensados
Das noites abraçados
Dos dias de chuva, dos dias de trégua.
Oscilo em saber-me sem ti, muito longe e em ser parte de ti, em não ter escapatória.
Oscilo em amor profundo e em ódio declarado
Assumo guerra e te enterro sem pensar
Depois te esqueço, te meto em um cofre e te volto a retirar
Meu amor por ti, essa é a minha impressão, será sempre assim,
Um vaivém de sentimentos opostos e ao mesmo tempo tão iguais
Jamais te deixarei de amar, não me será possível esquecer-te quando te vejo dia-a-dia nos olhos de quem mais quero neste mundo, no corpo do amor, reflexo do amor, no amor mesmo, este sem fim. 

Coração Cora Coralina

Coração
Cora,  nação
Cor: coral
Coral coa 
coação
Ação
ri
cor
dare
Amarcord
Amar, cora
Recorda
O coração de Cora
Cora de Coralina
Corado e Coralinda cor
De poeta e de mulher poesia


martes, 25 de marzo de 2014


Amarte a mí

Amarte a mí

No, mi gran amor, no te equivoques conmigo.


No me he enamorado de ti por lo que yo no podía ser,


Me he enamorado de ti justo por lo que podía ser y soy. 


Me he enamorado de ti


Porque tú haces con que me de cuenta de lo que soy y por no poder amarme, por la enorme incapacidad de quererme a mi misma me 
reinvento en ti.

Eres mis ojos, mi piel, mis miedos, mis enfermedades, mis alegrías, mis alergias, mis odios, mis fragilidades, mis intolerancias, mis infidelidades, mi risa, mi cinismo, mi profunda forma de amar, mi lealtad. 


Por eso, amor mío, amando-te a ti me amo a mi misma. 


Amando-te a ti con total entrega y confianza, a pesar de lo que digan, a pesar de lo que pienses tú, a pesar de lo que piensen los demás, a pesar de lo que me pueda herir, a pesar de;


Amándote a ti, me acerco a mi misma, casi me acaricio, casi dejo de odiarme, casi me quiero un poquito.


Entiendes ahora, amor mío, ¿el porqué de mi amor por nosotros?

viernes, 21 de marzo de 2014

Nós

Não tínhamos televisão em casa;
Não gostávamos de samba nem de pagode
Éramos de esquerda e não tínhamos religião
Não nos relacionávamos com nossos irmaos
E não havíamos amadurecido no amor;

Tínhamos rinite alérgica, os dois
E  aversão às camisetas “polo”
Gostávamos de jazz, bebop e de alguma solidão
Víamos filmes de terror, alguns  ruins e outros bons

Gostávamos de viajar
De ler e de ver séries americanas
Bebíamos e perdíamos a consciência
Fazíamos o amor até amanhecer e
Depois nos tapávamos com o lençol pela manhã
Numa vergonha quase infantil

Falávamos muito, quase o tempo todo
E ficávamos segundos eternos  em silêncio
Nos olhávamos nos olhos
E éramos impulsivos e tímidos ao mesmo tempo

Nos vimos três vezes
Início, fim  e meio

Fiquei no meio e pela metade.

Morrer de ti

Não sou oficial nem quero ser
Sou amor bandido e fugidio
Sou amor rasgado, sou paixão circo

Sou só tua mulher

Nem esposa nem mãe
Não te desposo porque já sou tua e tu és meu
Não precisamos de clichês
Não há outro no mundo e eu sou carne tua sem ser

Não sou tua amiga

Não sou nada tua apesar de ser toda tua

Sou esse pedaço de carne e sangue que rasteja por aí, que te persegue invisível, que quase não quer nada, só um sopro de esperança, de um dia, quem sabe um dia, morrer em teus braços.

Por que sim, eu quero morrer, quero morrer de ti.


Feliz como eles

A partir de agora vou fingir que gosto de jóias
De roupas caras e de carros importados
Vou fingir que preciso de empregada, motorista e babá;
Que gosto de homens bonitos, bem sucedidos e machistas;
Que gosto de reunioes sociais com senhoras de chapéu
Que sou partidária de longos silêncios e que bebo suco de uva

Vou fingir que quero comprar uma casa
Que quero um decorador, que gosto de cor
Que amor nao faz falta
Que tenho controle sobre a minha vida e sobre a dos meus
Vou fingir que me importa o que dizem de mim;

que me importa o tamanho da minha TV e que a música não é para mim

Também vou fingir que gosto de comer alface e que amo acordar cedo para pedalar em uma bicicleta que nao sai do lugar;

Vou aproveitar e fingir que não se envelhece, que o tempo não passa e que as rugas podem ser deletadas por arte de bisturi.

Ou posso saltar o grande muro e começar a fingir

que o que importa é o cuidado dos animais indefesos
que devo ser vegana por estes mesmos animais
Que gosto de andar de bicicleta em meio à poluição da minha grande cidade;

Posso fingir que a exploração humana no terceiro mundo me importa
e que as crianças que morrem de fome e de pena lá na África tiram o meu sono
que a destruição da natureza me aniquila
e que a escravidão humana me entristece

Alardear que odeio os bancos e o Mc Donald´s

Vou fingir que o objetivo da minha vida é ver meu filho crescer, ser avó e depois morrer;

Vou fingir que tudo isso me importa e que o que realmente me importa, na realidade nao tem importância.


Vou fingir, farei como eles, como todos eles, uns e outros.

Afinal, eles parecem felizes.

21 de outubro de 2012

Me tiraram os amigos
Me arrancarm o riso fácil
Me extirparam a auto-estima
Me privaram de diálogo
Me fizeram acreditar que estava louca
Me fizeram sentir-me culpada de tudo
Me negaram o direito ao trabalho
Me afastaram de tudo e de todos

Me submeteram e me infantilizaram

Paciência

Teu fascínio por mim é a liberdade 
que sentes a meu lado ao poder ser 
o que sempre foste, sem nenhuma máscara, 
sem nenhum medo, sem questionar;
Deixo com que o melhor e o pior de ti se manifestem uma e outra vez e sigo intacta. 

Nada muda e nem mudará quanto ao amor que sinto por ti. 

Esta segurança que te dou não é a minha arma, é meu dom. 

Teu fascínio, amor meu, não é por mim e sim pelo amor – que é exatamente o que sentes quando estás comigo ou quando simplesmente recordas que eu aqui sigo. 

Mas ainda não o reconheces. 

Paciência, um dia chegas lá. Ou aqui.