Nao sei se é uma coisa que acontece só comigo mas imagino que nao já que acontece tudo com todo mundo o tempo todo.
Toda vez que a minha vida dá um passo adiante, que avanço e começo uma etapa distinta, sinto uma necessidade urgente: ouvir discos antigos, chorar sobre leite derramado, ver fotos de quando era criança e fazer toda e qualquer coisa que me crie nostalgia, que arranque lágrima dos meus olhos, que faça com que me sinta enraizada em algo, por mais que este algo seja abstrato como memória olfativa perdida no tempo, como se quando eu avançasse, estivesse me distanciando daquilo que fui, de tudo o que já me deu prazer e experiências.
De alguma forma preciso me agarrar a algo que já não existe para sentir que não perco nada em avançar porque a sensação é que a cada passo que dou, vou perdendo algo como se fosse uma criança de cinco anos e tivesse os bolsos cheios de pedrinhas e a cada passo novo, a cada experiência nova, perdesse uma pedrinha e ganhasse outra distinta porém menor e menos valiosa já que no presente nada é o que será e nada tem a importância que terá dentro de um determinado tempo.
No momento presente a minha sensação é estar perdendo um diamante para ganhar uma pedra que nao vale nada, mas tenho que perder parte da minha memória para ganhar esta nova pedra e no fundo eu viveria toda a vida com as mesmas pedrinhas mas a própria existência (ou somente a minha?) me faz ver que isso nao é possível, que a vida é um perder e ganhar pedras o tempo todo e que sempre que perdemos uma pedrinha pensamos que será substitutida por outra menos importante que só cobra importância desde a distância, quando já passou.
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