viernes, 14 de noviembre de 2014

O veganismo no caos ou a era da auto-proibição


Vivemos uma era do “eu posso tudo”, uma suposta liberdade para se fazer o que bem entender. 
Posso comer o que quiser, na hora que quiser, posso vestir a cor que mais gosto, ouvir meus discos favoritos, posso escolher o filme que quero ver, o livro que quero ler. 
Posso andar nu. 
Posso ter sexo com quem eu bem entender, posso ser mãe ou posso optar por não sê-lo. 
Posso viajar, posso casar ou ser solteira, posso me masturbar. 

Com tanta liberdade, as classes médias e altas (as que têm liberdade, óbvio) começaram a sentir que algo falhava nas suas vidas, afinal, apesar de toda a liberdade (e quem sabe exatamente por ela), se sentiam cada vez mais infelizes e incompletos. 

Então surgiu o que eles precisavam: mil maneiras de se autopunir, mil maneiras de lutar contra eles mesmos, mil maneiras de colocar limites nas suas vidas sem limites e ao mesmo tempo não mudar absolutamente nada.

Livres, eles decidiram que já não deveriam comer carne, que já não deveriam comer laticínios, que não poderiam comer nada industrializado, que não poderiam provar álcool, que não poderiam fumar, em suma: SE PROIBIRAM, por eles mesmos, sob a hipocrisia do veganismo das grandes cidades, do vegetarianismo em meio ao caos. 

Não digo com isto que sou contra o veganismo-vegetarianismo, ao contrário, não sou vegetariana por pura cara de pau, já que me parece absurdo, por não dizer indignante, o tratamento dos animais por parte da indústria da carne.

 Mas do que trato aqui é de equilíbrio, de equidade entre ideologias.  

Eu quero ter a vida mais saudável do mundo praticando yoga, comendo folhas verdes e maçãs ecológicas ao mesmo tempo em que vivo num centro urbano com altíssima contaminação? 

Quero ser o exemplo do ser politicamente correto consumindo todo tipo de merda eletrônica (incluindo Iphone, Ipads, Imerdas de qualquer índole) que mais tarde jogo fora e vão parar no antigo rio (porque já não existe de tanta bugiganga eletrônica que jogaram e jogam por lá) de Gana? 

Quero ser o cara que defende o direito dos animais, mas não é capaz de olhar para o menino (sim, o menino!!!) que conduz a charrete e o relho, vestindo uma bermuda rasgada no horário em que deveria estar na escola?

Quero ser o educador da década colocando meus filhos em escolas privadas (e bem privadas) para que convivam só com gente semelhante, mas que aprendam, sob o método Waldorf a cuidar da natureza dentro do muro de casa e do colégio e nos fins de semana em lugar de sair para o campo, me meto no cine ou num restaurante?

Estes mesmos seres livres seguem vivendo em cidade enormes, repletas de fumaça, stress e gente depressiva. 

Seguem trabalhando 20h ao dia, seguem contratando babás, faxineiras e empregadas, seguem se preocupando por coisas que nas cidades pequenas, jamais se preocupariam.  

Não é o momento de falar de coisas de verdade? 

Não é a Yoga ou o veganismo que vai te salvar! 
Não é a participação na Associação dos Direitos Animais que pode mudar a tua vida. Não vai ser consumindo alimentos orgânicos durante as tuas 20h de trabalho (para ganhar dinheiro para todos os cacarecos que desejas comprar) que tu vais ter saúde ou uma melhor qualidade de vida! 

Não, não adianta se enganar. O que tu tens que fazer é sair daí, viver num lugar menos hostil, ganhar menos dinheiro, trabalhar menos. Comer as galinhas do teu galinheiro ou do galinheiro do vizinho. Preparar e comer o queijo feito na cidade, tomar uma cerveja no bar da esquina, ouvindo passarinhos, caminhar pela cidade e fazer rotas de bicicleta. Ir andando ao trabalho, amar e te relacionar mais e melhor com todo tipo de gente que tenha tempo para se relacionar. 

O teu problema não é a carne nem a Coca-Cola, o teu problema é a tua vida e nunca, nada, a não seu tu mesmo (sem hipocrisia) vai poder te salvar de ti mesmo!

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