viernes, 2 de enero de 2015

Sou aquela

Não sou peixe de aquário
Não sou gato de apartamento
Não sou bunda de calendário
Não sou mulher pra casamento

Não sou pomba de aviário
Não sou perdiz de confinamento
Não sou mulher de mostruário
Nem sou amostra de usuário

Não sou couvert antes da entrada
Não sou tua sobremesa
Não posso ser doutrinada
Nem pretendo ser educada

Não sou musa inspiradora
Não sou troféu de caça
Não acredito no teu Deus
Nem gosto da madre Teresa...

Sou o oceano do teu peixe
Sou as negras unhas da tigresa 
Sou o telhado de zinco quente
Sou gin tônica e
Sou cachaça na tua mesa

Sou águia numa rasante
Sou ave de rapina
Sou pavoa misteriosa
Sou sempre entorpecente

Sou coragem
Sou delicadeza
Sou uma força à margem
Sou toda a liberdade


Sou ainda uma semente

No hay comentarios:

Publicar un comentario