Tenho dificuldade em ser combatente
Lutar de frente
Sou dos que choram escondidos atrás do riso
dos que sofrem sozinhos
Dos que, com a dureza, perdem forças no lugar de ganhá-las
Sou meio vagalume,
mais vaga que lume
Minha luz não é própria, sou lua
Dependo totalmente dol sol
Me engasgo diante da imagem
Desejo o sono diante da morte
Desejo a morte diante da barbárie
Mesmo aqui, sentada no sofá, enquanto
enfrento o privilégio de ter uma vida que vale mais que a de outro ser vivo qualquer.
Mesmo aqui do alto
Não me excluo da humanidade, humanidade que desprezo
Porque haveria eu que amar-me, se sou parte disso tudo?
Que tenho eu de especial?
Que sofro, que choro?
Que sim, que quero morrer de uma vez, confesso, apesar de, além de tudo, ser uma covarde.
Covarde que não sabe ser combatente,
que segue chorando nos bastidores do riso.
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