Às vezes sinto saudades da inconsequência juvenil
Até porque posso dizer que fui uma adolescente absolutamente fiel aos meus instintos e intuições
Eu não tava nem aí mesmo.
Eu queria VIVER, assim em maiúsculas
Era feminista ainda sem saber o que era feminismo
Era anarquista sem ter a mínima ideia do que significava
Me negava a relacionar-me só com o círculo da escola particular
Me negava a depender do carro da mãe para chegar aos lugares.
E assim comecei a usar o transporte público (muitas vezes os pés já que tinha gastado o dinheiro do bus por aí) bem cedo, não por necessidade e sim por ideologia (palavra desconhecida por mim na época)
Bem cedo me dei conta de que a amiguinha mais inteligente era também a que menos tinha oportunidades (que difícil era entender que só brincaria com a filha da faxineira em casos excepcionais)
Então fiz novos amigos: um motorista de lotação, vagabundos, músicos (e projetos de), gente rica, gente pobre, isso sim, mais gente inteligente que gente burra.
A inteligência e a cultura alheia sempre foram as minhas debilidades.
Não existe nada que me desperte mais tesão que gente que sabe mais do que eu...no sentido bonito...ou que sabe diferente, que me apresenta coisas que ainda não vi e que se não fosse por suas mãos, jamais conheceria...
Aos 15 anos, na biblioteca do pai de um amigo-amante (e eterno grande amor) descobri Tolstói e Hermann Hesse; aquele ano foi lindo! Com ele li a Sade e conheci o feminismo.
Depois vieram tantos amigos, amantes, amigas e amantes.
Minha inconsequência (consciente há que dizer) sempre foi um imã para determinado tipo de gente, e o melhor é que era o imã para o tipo de gente que me interessava!
E assim sigo...
Conto a cada umas destas pessoas como um grão de areia que finalmente ajudaram a transformam-me em uma praia (embora pequena) que sou hoje.
No hay comentarios:
Publicar un comentario