lunes, 31 de marzo de 2014

Bordar-te eternamente



Sigo buscando sinais nas tuas linhas

Minha agulha já não funciona, se é que um dia funcionou


Com os dedos à mostra, nunca gostei de artimanhas como luvas ou dedais, me entrego à dor e ao prazer desta exposição


És diferente, não te escondes de propósito, és assim como o desenho em um lenço antes do bordado, que está ali completo, mas pouco visível, muitas vezes indecifrável


E eu te quero bordar mas minha agulha está enferrujada. Assim mesmo persisto e começo suavemente, embora com muita dificuldade, delineando as bordas, com linha amarela

Tudo é tão lento, tão ineficaz, que não é possível manter uma constância e me perco continuamente pensando em perguntas que outros fariam, não eu


A dificuldade é enorme e abandono por momentos e quanto mais o tempo passa, mais indecifrável e mais fascinante se torna o desenho


Então num arrebato, tento enganar o tempo e com um lápis, traço uma linha, esquecendo da agulha e apressando a tarefa


Mas teu desenho não permite pressa, insiste no bordado, pode esperar 


E eu, com as mãos trêmulas, não tenho outra opção que não a de seguir bordando-te eternamente.

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