sábado, 29 de marzo de 2014

A dor da doença



Já amei e desamei
Já levantei e caí inúmeras vezes
Já fui traída
Já abandonei e fui abandonada
Já engordei muito e logo emagreci
Já mudei para pior, para melhor e para outraS
Já construí vários castelos
E os destruí ou foram destruídos
Já fui aquela, a outra e esta
Já passei mal, sofrí e deixei de rir
Voltei a sorrir.
Já fui filha, mae e companheira, Fui fiel e infiel.
Sempre leal.
Ainda quero amar e desamar
Ainda pretendo cair e levantar outras tantas
Abandonar e ser abandonada
Ser mae, filha e companheira
Ainda quero engordar para emagrecer e voltar a engordar
Ainda quero mudar para pior, para melhor e para otraS
E construir novos castelos
E destruir e voltar a construir
Quero ser esta, aquela e todas as que surjam
Ainda quero passar por tudo e mais. O sofrer nao me tira a vontade de viver e a vontade de viver é estar exposto. Nunca entendi o recolhimento após a dor. Meu Corpo funciona ao revés: sempre que dói, em vez de se fechar ele se abre ainda mais, até estar totalmente nua e exposta, exposta à dor u à vida mesma. Sempre. Ainda. Para sempre

1.12.2012

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